domingo, 9 de abril de 2017

Solto, você vem...

Há algo sobre eu e você, uma coisa além do que meu entendimento alcança e metafísico demais pra se ver a olho nu. Dessas coisas que não se pode explicar e que os escritores, poetas, artístas e cineastas tentam a todo custo capturar e fazer com que as outras pessoas sintam. Eu senti isso agora, uma faísca, um décimo de segundo noutro plano em que eu e você pudemos nos materializar. Nos materializar como tal, eu e você, dividindo a cama, o cobertor, o mesmo copo, eu usando a sua camiseta num domingo a tarde e você sendo aquele cara que me leva pra conhecer a mãe e conquista a confiança do meu pai. Eu e você como a coisa mais maluca e improvável, pois amanhã logo que eu acordar, vou pegar minhas coisas, amontoar na mochila e sair por aí resolvendo a minha vida, feliz por estar sozinha. Esse eu e você já ultrapassou os meus limites de autossuficiencia, por um instante eu só queria que você me chamasse de "minha" e abaixasse a sua guarda pra que eu pudesse fazer você feliz. Você é também um dos meus maiores medos, e olhe lá, eu nunca sinto medo. Você casualmente fazia falta, mas já nem faz mais. Eu não gosto de ser a mulher que você me deixa ser, porque eu sou tão maior que isso que você me dá espaço pra mostrar. Mas esse texto aconteceu, em um momento em que fechei os olhos e então eu e você foi tudo o que senti em meu coração. Olha que ele não se engana... Se uma estrela passar aqui nesse momento, se os deuses se reunirem e decidirem por nós dois, querido... 
Eu te faria feliz e você me apresentaria o tal do amor que eu ainda não conheci. 

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