sexta-feira, 7 de abril de 2017

A rosa e a peônia

São elas, as duas mulheres inquietas, boêmias, no canto do bar escrevendo baladas em guardanapos. Seus olhos intensos e profundos, um abismo dentro de si. Olhos castanhos, essas duas mulheres. Gostam de flores, mas uma fica com peônias e a outra com rosas vermelhas. Um mero detalhe que o fez se apaixonar, por uma e por outra, sem saber de tanta e tanta coisa que havia nessas mulheres. Pele clara, uma e outra, cabelos castanhos, avelã ou chocolate, eu já não saberia dizer, embora ele soubesse diferenciar a textura de cada uma delas, de olhos fechados. Essas cinturas, dessas mulheres, qual o estilo que cada uma se identifica mais, mesmo com uma biblioteca em comum. Elas sorriem igual. A língua que elas falam é a mesma. Ah, por favor, não me diga que não notou que elas poderiam ser uma só. As mulheres dele, mesmo sendo delas mesmas. Havia tanto para se agarrar nelas, então o que foi que acontecera ali? Ouviu-se falar do mesmo homem, aqui e ali, pelas duas bocas que coincidentemente usam o mesmo batom. Elas o descrevem nas linhas uma da outra, talvez o amassem eu outra ocasião ou contexto, talvez cada uma delas pudessem procurar onde lhes foi que nelas doeu mais. Onde foi que ele segurou mais. Repartiriam os poemas ao meio, compartilhariam, os três, uma taça de vinho, ora, ora... As duas são feitas de vinho. Elas são uma só, ele não notou. Então elas se deliciam com isso. Elas o comem e lambem seus ossos no final. Escrevem palavras de amor. Brindam juntas no final. 

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