Você passaria uma noite toda comigo, deitado ao meu lado debaixo dos planetas, observando as luzes da cidade que brilham pra mim, me ouvindo contar sobre minhas teorias, sobre a vida e o passado que tentou me ferir, sem sucesso. Tentaria entender que meu deboche pela dor vem do fato de que também rio da cara do amor verdadeiro, a alma gêmea. Em todas as frases que eu disser, você completaria a última palavra e saberia todas as referências literárias que saíssem da minha boca. Eu ficaria perplexa com todos os assuntos e por um mundo enorme caber dentro de uma pessoa só. Você me contaria casos de amor, verdadeiros ou não, mas seriam boas histórias. Eu mentiria dizendo que não fico excitada quando você coloca seus óculos de grau e você me provocaria pra saber até onde vou nessa história toda. Eu escreveria mais um pouco ali pra você, terminaria a noite exausta de tanta novidade acontecendo na minha vida, implorando pra que você acabe com ela. Eu usaria menos metáforas, o quanto fosse possível. O menos de roupa quanto fosse possível ali naquele lugar escuro, debaixo dos planetas, observando as luzes da cidade que brilham pra mim. Não sei onde mais procurar por tudo isso, porque há apenas um lugar onde eu gostaria de estar. Nem sei se esse lugar existe mesmo, ou se é em algum canto dentro de mim que ninguém jamais esteve. Eu escrevo pra me esvaziar de tanto lirismo, que atrapalha a minha vida por achar que dessa vez não vou debochar de nada. Você me faz achar que não. Eu escrevo, escrevo, isso não é o suficiente. Você acaba com a minha sanidade e eu ainda peço por mais.
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