domingo, 9 de abril de 2017

Esse garoto está sempre ali na escada, fumando um cigarro e arrumando o cabelo

Entendo quando me perguntam porque ainda não o beijei. De fato, ele é muito bonito e nem eu mesma sei dizer o quão forte, ou boba, estou sendo perante essa situação. Ele encontra o ponto culminante de todo o meu desejo dissolvido e repartido entre os dias, os olhares, os beijos na bochecha, bem perto dos lábios. Daqueles que você usa pouco com medo de gastar; sente o cheiro antes de morder.
Realmente, ele é muito bonito. Não uma beleza dada e escancarada, mas uma explosão nuclear de sensações que ele me desperta quando sorri de ladinho ou mexe no cabelo. Costumo dizer que também precisa ser uma alma bonita pra conseguir admirá-lo por completo.
E dentre todos os meus planos, textos, poemas, meus prazeres solitários, melodias excêntricas, rimas sujas, homens de meia idade ou qualquer outra maneira de retomar as rédeas da minha vida, não fui capaz de substituir a sensação que é ser fitada por ele.
Esse garoto está sempre ali na escada, fumando um cigarro e arrumando o cabelo de um jeito que você não encontrará em qualquer esquina. Fica ainda mais bonito quando fala e ele é capaz de fazer com que você esqueça tudo o que já aprendeu até chegar ali.
Ele vai te trazer pra bem perto e fazer com que você se queime com o calor do corpo dele. Vai te tratar bem, elogiar você como John Keats elogia Fanny. Não há como ficar muito a vontade. Ou há, se você sentir vontade de levá-lo pra outro lugar. Isso sempre me ocorre.
Não pude encontrá-lo, olhar pra ele e deixá-lo ali da mesma forma que o encontrei. Você também não seria mais a mesma e não tem como reparar todo esse desastre.

A vida está muito boa. Até ele aparecer. Me desestruturar. Eu não sei lidar com tudo isso.

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