Vem! Faça um círculo de sal grosso ou alho ao meu redor, me proteja dos morcegos que querem fincar seus dentes em meu pescoço. Me livre dos sapos, dos meus cabelos soltos e ondulados, das minhas vestes pretas que lhe causam sensações. Vem! Pra me cobrir ainda mais, pra me encher de panos de seda, palavras doces, antídotos aos montes. Me proteja do mundo, dos homens, da maldade. Me alimente pra me engordar e me proteja de quem me quiser em cima da mesa, num banquete. Sou frágil? Uma princesa? Você pensa que sim?
Tente me queimar na fogueira que acendeu ao meu redor: descubra que eu tenho asas. Eu os alimento com meus poemas pra depois me deliciar. Seus alhos e sal, tempero sua salada com poucas calorias. Eu fico com o que há de mais errado. Vem! Vem só pra sentir eu escorregar por entre seus dedos e me juntar aos morcegos em cima das árvores. Não tente me salvar: eu organizo meu próprio resgate. Sou a bruxa, não percebe? Tenho uma série de cabeças expostas, tenho radar pros teus galanteios, um caminho de flores até a entrada da sua gaiola.
Vem! E me observe fugir.
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