Mostrei olhares por aí e não imaginava o quão perigoso seria
deixar que eles me olhassem por mais de dez segundos.
Confundi minha definição de experiência com o erro tolo
de separá-la da intensidade.
Eu sou e sempre fui uma mulher solitária
e então chega essa gente me ensinando
duzentas e sete maneiras de aproveitar a vida
no meio da multidão.
A vida veio disfarçada com uma fachada bonita
de prazeres terrenos e meramente visuais.
E eu me rendi,
esquecendo que na verdade nem desse mundo eu sou.
Hoje me puxei pela mão,
me guiei num passeio íntimo,
deitei sob a lua e deixei que ela limpasse minha aura.
Eu não suportaria mais um único beijo que não me fizesse
transpirar,
ofegar,
inundar.
Nunhuma energia outra que provocasse pouca incandescência.
Eu nasci brasa e frenesi,
não sei estar perto sem querer estar.
Ando planejando estratégias pra aperfeiçoar meu plano de fuga.
Preciso da minha doce solidão pra que eu possa me dedicar
(e me deliciar)
a uma obsessão de cada vez.
E não há nada que os outros possam fazer...
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