É tudo questão de um mero capricho. Os vestidos, por exemplo, a seduziram com suas curvas bem ajustadas e pernas de boa moça, que frequenta a igreja aos domingos pela manhã. Tão sérios os três que ficariam lindos jogados no tapete do quarto dele, do lado da cama, um em cada dia da semana, às terças, quartas e quintas. Conheço algumas que enfeitariam esses vestidos comportados e você também irá se lembrar de uma ou outra que conheceu na adolescência. Quando pensar nisso dentro de um elevador, ver no espelho suas olheiras de noites mal dormidas tentando entender essas garotas de bar que parecem não ligar pra vida de ninguém, lembre-se apenas de como dançam nesses vestidos comportados, fazendo com que tudo pareça ter vindo direto do inferno, queimando no seu colo. É um mero capricho dos deuses pra florear os dias comuns. No fundo, se conseguir levá-la pra casa, verá como seus cabelos acordam bagunçados de manhã e que não saberia lidar com essa leoa na segunda feira às 18 horas após um trecho de trânsito na cidade. Imaginar tê-lo de todas as maneiras possíveis - e impossíveis -, depois se perguntar se isso está mesmo acontecendo; implorar pra que a resposta seja não, fazer amor e fazer amor de novo. Ter a realidade ao alcance dos dedos, continuar desejando a ilusão. Preste muita atenção quando ela dançar em cima da sua cama, nua ou só de calcinha e camiseta, fotografe esse momento na memória e não deixe ela saber que gosta muito disso, a não ser pelo desejo no seu olhar. É apenas um capricho. Não pode ser banalizado. Não pode deixar de ser um capricho. Ou então, perde toda a graça.
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