segunda-feira, 13 de março de 2017

O que você viu nele?

- Não sei ao certo. Ele é diferente dos outros. Acho que começou pelo fato de eu não estar nem um pouco interessada e ele me conquistar.
- Geralmente tem sido o contrário. 
- Gostar dos impossíveis, eu bem sei.
- E o que mais? 
- Gosto do jeitinho dele. Da parte dele que é exatamente igual a mim, mas principalmente do que nos faz diferentes. Gosto das músicas estranhas que ele pede pra eu ouvir e das cantadas baratas. Passo horas rindo. 
- E fisicamente? 
- A voz é uma característica física? 
- Acho que sim. Pode ser.
- A cor dos olhos dele eu nunca havia visto. Em cada foto parece diferente e, pessoalmente, é ainda mais intrigante, já que esses olhos ficam me encarando. Gosto da cor do cabelo dele, do cheiro bom que ele tem. Os lábios são macios, o sorriso... Gosto das mãos também. Não sei explicar. 
- Eu não te entendo.
- Não sei exatamente como isso foi acontecer, mas simplesmente ele é o meu preferido. Ele me deixou absorta e fisgada. Isso não era pra ter sido assim, era pra ter sido superficial. 
- Então foi algo que ele fez. 
- Ele me fez companhia. 
- Isso não basta. 
- Ele agiu como um cara normal, não romântico, até um pouco atiradinho. E eu estava me esquivando. 
- Até que...
- Até que eu chamei um colega de classe pelo nome dele. Isso foi a gota d'água.
- Totalmente fisgada. 
- O nome dele nas notificações me deixa sem ar. Eu sei que há nele algo de que eu gostaria de conhecer. Algo que ele faz, um jeitinho de passar a mão no cabelo, ou o modo como segura os talheres. Ele tem algo de que eu preciso e não sei o que é.
- Bom... 
- Dentre outras coisas, claro. 
- Eu sempre soube.
- Mas isso não faz muita diferença agora que a minha vida está voltando aos eixos. Só caminho no escuro sentindo muitas outras coisas e conhecendo outros caras extremamente divertidos, inteligentes, com olhar matador e voz bonita. Até que eu seja fisgada de novo. Fora do controle.
- E isso é muito bom! 
- Logo eu...
- A controladora.
- Quem me dera perder todo o controle de novo, totalmente desarmada como ele me deixou. 
- Mas, dessa vez, sem fôlego, sem roupa, de quatro num quarto de hotel.
- Amém!

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