domingo, 26 de julho de 2015
Droga de sentimentalismo
É quase como sentir fome, um vazio no estômago, uma sala de cinema em dia de filmes cult. Você é aquele único ser capaz de levantar a bunda da cadeira do computador, ir a um café sozinho e comprar um bilhete para Frances Ha às duas da tarde no cine do subúrbio. E você está dentro da minha barriga me causando intensas dores na alma, escorregando pelas minhas veias e me sugando as energias. Eu devo ter te comido junto com um queijo ralado vencido, droga de sentimentalismo. Eu já me rendi aos livros interativos, eu já li dois ou três clássicos da minha estante, eu já comi meu macarrão bem de vagarinho pra demorar bastante, pra ver se o dia, a semana, essa agonia passa logo. Já acabaram as possibilidades, mas não o seu porre. Eu estou aqui esperando pra ver se vai ou se desocupa a moita. Mas você não vai, está bem preso aqui dentro de mim, brincando de se esconder, bebericando essa café já frio, fugindo da realidade triste que já não pode ser adiada. Então vê se me faz uma última vez, faz bem de vagarinho, vê se finge que vai ficar, vê se demora pra acabar. Já não aguento mais ter de escrever pra me esvaziar.
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