sexta-feira, 3 de julho de 2015

Coisas de Clarice

Às vezes eu acho que moro dentro da cabeça da Clarice e se você a conhece, vai saber do que estou falando. Hoje foi exatamente como ontem, a não ser pela catástrofe emocional que eu acabei de inventar. Uma palestra de como entender e lidar com um ser humano normal é completamente viável, mas queria mesmo era ouvir Gasparetto palestrando sobre Clarice e eu. Não acho que deveriam me entender, sei lidar com sentimentos de culpa que ressoam na minha mente desde que aprendi que não deveria errar. Posso lidar com mais um monte de hormônio que chegam em bando e se instalam na minha corrente sanguinea uma vez por mês. Posso digitar meia duzia de babozeiras pra uma desconhecida que, inclusive já rastreei até a conta bancária, e amanhã acordar completamente arrependida. Coisas de Clarice. Mas ao invés de pedir socorro, de ligar pra polícia ou pro manicômio, eu apenas me sento quietinha e de madrugada, quando todos que eu posso machucar já estão dormindo, escrevo e a tempestade que se concentra na minha mente se acalma. Um sopro de paz leva tudo pra longe por mais uma noite, por sorte ninguém saiu ferido. Leio, leio mais uma vez pra ter certeza de que tudo está bem e talvez eu volte aqui amanhã quando estiver em ruinas outra vez e leia de novo. Da mesmo forma que ninguém entende Clarice, também não se preocupem em me entender. Aqui no meio desse emaranhado de sensações, só eu mesma consigo me curar.

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