eu sou minha.
minha.
mesmo sabendo que meu corpo é transitório, minhas joias, meus romances e as cartas que eu enviei. sou minha, apesar de ter aprendido a soltar tudo, entender que amanhã posso não estar aqui, posso não ter os membros que um dia eu pensei serem meus também. não sou dona, mas sim, responsável pelas minhas palavras, ações o que eu entendo das suas palavras e das suas ações. sou responsável por me amar o quanto eu desejo que o outro me ame. e ainda mais. porque dentro de um ônibus por sete horas, ou catorze - como ocorreu uma vez - estarei contente em ser minha própria companheira. quando doer vai doer em mim e eu vou me curar. vou sentir tudo, abraçar tudo o que vier. se der medo, vou buscar apoio dentro do meu coração, que venho treinando há 23 anos pra não quebrar tão fácil. então antes de me chamar de "minha" uma outra vez, procure amor dentro de si mesmo. não sou sua metade, a parte que faltava em você. não nasci com o propósito de secar suas lágrimas e meu amor não permanecerá onde a posse estiver. serei sua somente e apenas porque sou inteiramente minha e não espero nada menos de você. somos completos. e temos um ao outro. confiamos na transitoriedade.
não possua nada. seja!
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