Choveu a noite toda, o céu está cinza (um cinza lindo) e o vento sopra gelado. Todo o mundo está cinza também, as pessoas choram e algo morreu em cada uma delas.
No terceiro dia, fui acordada com uma foto do meu grande amor juvenil hollywoodiano mordendo a perna de um óculos com seu olhar mais sexy. Aquela lembrança ao mesmo tempo cheia de amor também fez com que tocasse Cindy Lauper na cabeça de todos os que viram. If you're lost, you can look and you will find me, time after time. If you fall I will catch you I'll be waiting, time after time...
O céu chora, os amigos choram, os curiosos se sensilibizam. Eles choram as minhas lágrimas e eu vou me enxendo de amor.
Sabem, o amor não dói. Ainda o defendo com unhas e dentes, sempre o farei. O que dói é a mudança, a saudade, o medo, a confusão, as lembranças. O amor me faz dançar no chuveiro e praticar meditação balinesa. O amor é aquilo que fica, preenche o peito e que emana.
Não precisa chorar, só amar e agradecer...
O que Brás Cubas fez no terceiro dia mesmo? No primeiro dia pensei em me matar. No segundo, em virar padre. No terceiro, em beber até cair. No quarto, pensei em escrever uma carta para Marcela. No quinto, comecei a pensar na Europa e no sexto, comecei a sonhar com as noites em Lisboa. Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu.
É, Brás, acho que no terceiro dia eu já refiz o meu.
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