sábado, 3 de dezembro de 2016

Aperte as minhas bochechas

e me chame de Marcelita. Me abrace de novo e me leve pra tomar café na nossa padaria de sempre. De sábado de manhã, rabisque meu caderno durante as aulas e ria quando eu pronunciar os nomes dos Pokemons.
Eu te chamei pra falar dele, como na última vez. Eu te disse como ele era e que era diferente de tudo o que já conheci. Dessa vez você vai ter que me dar outro conselho, baixinha, porque aquele de ficar com raiva dele, aquele conselho já não serve mais.
Vamos nos sentar na calçada e deixar o vento bater no rosto e no cabelo. Segure as minhas mãos pra gente ver o sol se pôr. E o Doritos, Jú? Compre pra gente se embreagar de Doritos enquanto você inventa outro conselho que dê certo.
É como uma tatuagem no coração. Tatuagem, não cicatriz. Quando você passa por algo e aquilo nunca mais sai de você, fica sempre ali, belo como seus olhos.
A gente na rodoviária ou no mercado comprando doces. No cinema tendo aula de Geopolítica. Eu te apresentando o meu melhor amor, minha tatuagem mais bonita. Eterna, assim como você.
Jú, hoje voltei aqui pra te mostrar minha nova tatuagem, três anos depois. Não me peça pra odiar, só aperte as minhas bochechas.
E vamos sorrir. Olhar o céu. Vamos sorrir...

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