segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

E eu te chamo pra almoçar

Já não precisa se iludir ou comemorar adiantado, pois não vai acontecer. As cervejas não vão acontecer, nem as minhas risadas vazias pra quem não conheço. Não me chame pra beber na sarjeta, ouvir uma fileira de carros tocando cada um um ruído diferente que alguns se atrevem a chamar música. Ah, e as novas redes sociais, não me mande convites ou fotos apelativas. Não, não vai ser dessa vez. Não vai ser agora que vai me chamar pra sair pra onde minha alma parece que vai morrer. Quem disse que eu mudei agora que eu me mudei? Que eu fiquei mais dócil ou que minha loba fica bem apertada no meu chakra base? Eu vou caminhar na praça e pisar nas folhas secas pra ouvir aquele barulhinho que me arrepia. Na sarjeta ou bebendo coisa feita de trigo, por Deus, você acha que me encontrou onde? Não me convença de que agora a vida é outra e que a tinta do momento é da cor de Malibu. Eu não sou esse tipo de garota que você arrasta pela mão. A gente ainda combina vinho seco com chocolate meio amargo e a gente canta nobody knows where they might end up, nobody knows enquanto passa rímel. A gente puxa pela mão. E se você acha que almoçar e jantar é uma coisa brega, saiba que vou me lembrar disso antes de te chamar pra fazer isso comigo em Paris. A gente não quer uma vida nova. Uma personalidade louca e descabida. A gente ainda quer os mantras e redes na varanda. Um por do sol em Itapuã e ser feliz e falar de amor. E o amor que a gante faz não deixa de ser o amor só meu, do meu jeitinho de levar a vida e a dança. De te conduzir pela mão... A gente fala de amor e a langerie é da cor que eu quiser. A gente não bebe cerveja. A gente não abaixa a cabeça. A gente não tem medo de dizer não. A gente sai pra almoçar.

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