Dessa vez, não cheguei a amá-lo, a dedicar meus versos e minhas serenatas, as noites de sonhos febris não foram pra ele. Embora eu segure firme toda grama de responsabilidade por esse - quase - romance, as minhas noites, os vinhos que tomei sozinha e com os outros. Mesmo que dele fosse a camada mais superficial de toda a minha pele, mesmo assim, sinto pela partida, embora pensasse que aqui eu jamais sentiria coisa qualquer. Não foi ele quem partiu. Fui eu. As fotos eu apaguei chorando no banheiro frio, o carinho que doi quando ele despeja todo o zelo, cuidado, paciência e afeto sobre as minhas feridas ainda abertas. Já fui tão amada... E apesar dele não ter me dedicado essas coisas que meus amantes artistas e criativos me dedicaram, bem, se não fosse algum tipo de sentimento genuíno, não teria chegado tão longe. Eu parti, então, porque cada gesto dele me fazia sentir medo. Ser vunerável nos braços de alguém, entregar-lhe todas as suas fraquezas, fortalecer e subir cada vez mais alto, pra depois terminar. Um dia me disseram que eu gosto dos relacionamentos impossíveis, justamente porque não há nenhuma chance disso acontecer. E eu não gostava dele, justamente por ser possível, real, estar acontecendo bem aqui, debaixo do meu nariz.
Ele ainda não sabe que eu parti. Talvez segunda, quando ele acordar.
Vai pensar justamente que eu não sentia nada.
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