sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Lisez-moi

A poesia escolheu Catarina, não os números, embora de todo não seria ruim, entre um beijo e outro, é claro. Ela sabe muito bem que conversa mansa e charme são ótimos elementos pra se iniciar uma noite, mas não a faça esperar muito. Ela é daquelas que rasga verbos e blusas, nasceu em março, é de fogo. Tem cílios curvados e clavículas desenhadas, ela te procura em pensamento pra nunca dormir sozinha. E despida de falso moralismo é bem melhor. Na veia corre vinho, a pele é de porcelana e ingenuidade, nunca se sabe ao certo o que pensa. Ela te engana tão fácil que chegou a criar uma teoria: Catarina não é o que fala, mas o que escreve. Não é por mal, o mundo não está preparado pra essa sinceridade toda. Ela caminha entre a insanidade e a lucidez, não se assuste se entre um suspiro e outro ela sussurrar qualquer coisa em francês... un restaurant bon et pas cher, s'il vous plaît... excitante em qualquer contexto. Catarina decorou três ou quatro dogmas religiosos pra ter o que falar com as amigas mais próximas, não conta seus segredos numa rodinha de fofoca, deixa que pensem que é daquelas que John Green descreveria nos seus livros. Só os poetas e os boêmios saberiam decodificá-la. Catarina já se cansou de ouvir a mesma ladainha, ela quer é transbordar lirismo, sussurrar mais alto, se embebedar de si mesma, amar sem pudores. E ama. Catarina está aprendendo a ser cada dia mais sua.

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