Eu fui perguntar as horas pro Google, não sabia se meu celular tinha aderido ao horário de verão sozinho, ou se eu teria que fazer isso por ele. Entrei no Facebook, li umas três ou quatro crônicas de uma tal de Anna, fiquei com vontade de ler Lolita, mas estou num grande caso de amor com o García Márquez. Até quinta, Deus que ajude. E essa Anna dizia nos textos que o feminismo havia salvado sua vida, que se tornou uma mulher confiante, que sabe muito bem que seu corpo é só dela. Eu parei por dois segundos e pensei em comprar seu livro. Depois pensei que se eu comprasse Lolita teria que ler às escondidas.
Esse mundo de aparências me acorrenta, mas não corrompe meu âmago, ainda sofro do mal de não ter opção. Sou poeta, amadora da vida, alma livre nas folhas de papel. Um dia hei de tatuar Bukowshi nas costas e andar com Fabio Chap na língua.
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