sexta-feira, 4 de abril de 2014

Você se lembra do seu primeiro amor?

Ele tinha olhos castanhos, levemente puxados, que sumiam quando ele sorria. Os cílios eram tão lisos e macios quanto seu cabelo, este tinha cheiro de shampoo importado, cortado da forma Bieber que todos os garotos de 13 anos já tiveram um dia. A pele era clara, mas nem tanto. As bochechas eram macias e gostosas de apertar, enquanto a boca era desenhada, obra perfeita do Criador. Tinha um jeito sexy e maroto de mascar chicletes, lembro-me até hoje. E de jogar o cabelo pro lado. Ele tinha cheiro de Ferrari Black e às vezes, de Jequiti. Vestia-se com uniforme, mas dava um jeito de por seu jeito em tudo. Pulseiras com a cor do reggae, colar de coquinho. Nas festas, usava terno e gravata cor-de-rosa, nenhum outro ousava tanto. Outras vezes, vestia uma camiseta chamativa e um blazer por cima, descolado e fino na medida certa. Respeitava seu pai e era apaixonada pela mãe. Apaixonava todas as menininhas da sala de aula, inclusive eu. A primeira vez que tocou em mim foi num passeio para o laboratório de anatomia, era uma tarde nublada, ele me abraçou. Voltamos no ônibus ouvindo música, eu dormi no seu ombro. Daí em diante, todas se renderam ao seu charme e ele as tratou como princesas. Todas tiveram seu romance com ele, achavam normal dividir uma pessoa assim, tão única. Eu, por outro lado, nunca disse a ele o que sentia, muito menos a qualquer outra pessoa. Decidi não ser mais uma das que ele usava e jogava fora. Todos meus olhares e carinhos foram a forma mais pura de amar pela primeira vez, mas eu o deixei ir embora assim, sem ao menos beijá-lo. Nos vimos pela última vez na segunda fase de um vestibular. Ele tinha o mesmo cheiro de Ferrari Black e um jeito de se vestir e andar que me tirava o ar. Me deu um de seus abraços apertados, me fez sentir novamente como uma garotinha apaixonada de 13 anos. Ambos passamos no vestibular, em estados diferentes, em cursos diferentes. A marca que o primeiro amor nos deixa é algo extremamente maravilhoso de sentir e recordar, as sensações nunca são apagadas. Hoje me sinto feliz em ter conhecido alguém tão especial, um romance que nunca foi escrito, mas que se eternizou na minha história.

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