a cada volta, um dia e uma noite de verão.
meus pés descalços, desequilibrados,
frios e desesperados,
por cair em terra firme,
dois andares abaixo das nuvens.
me lembre qual foi a última vez que me viu dançar,
enquanto eu lhe contava sobre
um ícone feminista ou discursava a respeito de teoria da moda.
se era apenas o chacoalhar do meu vestido verde
ou se por um acaso eu te deixava ver mais além,
enquanto eu estava em cima e você,
- bem -
embaixo.
talvez tenha sido lá pelas nove em que a vida enfim se tornou ordinária.
que foi quando eu errei a letra,
segurando a sua mão pra não cair.
enquanto fico tonta mais trinta segundos,
bebendo meu espumante,
espero a terceira vez de dizer sim.
que tal mais uma volta?
ou mais uma vida inteira?
eu espero as lágrimas terminarem de cair
ou se cansarem de lavar o chão do banheiro
pra subir na cama, encher a taça e
comemorar.
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