quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Comprometida

Primeiro vamos tratar essa paixão como um narcótico. O corpo entra em transe e você se despluga da realidade, um mundo paralelo onde tudo é possível. Os beijos e o cheiro de fumaça no seu cabelo, irresponsabilidade ilusória, uma grande propenção a tomar atitudes descabidas.
Depois um chá e uma meia. Nunca tome chá sem meias, perde todo o encanto do momento. O resto das roupas é opcional. Um bom livro de comédia romantica ou filosofia, e se não tiver nublado, feche as cortinas.
O quão irresponsável você pode ser um pouco antes dos 30, na véspera do seu casamento, se você resolver se trancar em casa com um chá e dois livros, ouvir uma bossa nova e pensar naquele seu ex colega de trabalho enquanto estuda um belo artigo científico sobre o ciúme. Acho que nem Balzac, nem Freud, nem mesmo a Lili Prata iriam julgar assim... Uma mulher inquieta que está louca, maluca mesmo, por uma boa noitada sozinha e um buquê de rosas vermelhas compradas com seu próprio cartão de débito.
Comprometida...
Comprometida...
Bobagem.

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