sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Plenitude, calmaria e seus sinônimos

As paredes eram de um tom pastel e a mobilia fosca e escura. Havia quadros provençais e prateleiras por todos os cômodos, enquanto alguns objetos coloridos de decoração traziam um pouco de alegria ao local. O chão era de madeira. Era uma casa pequena e íntima, havia um toque boêmio daqui e dali que denunciavam seus moradores. A iluminação era luz fria, mas as noites que não eram reservadas ao trabalho trazido pra casa eram clareadas com as chamas quentes das velas. Eles se perdiam na banheira. Ela lia ou escrevia numa espécie de camisola preta comprada na liquidação. E também tinham as calcinhas de renda. Sutiã não, a incomodava. E ele admirava sua silhueta refletida na parede oposta da mesma forma que um artista plástico admirava Picasso. Era uma miragem. As pernas se roçavam umas nas outras quase que involuntariamente. Ela era boa naquilo de soar natural. Ela era boa em outras coisas também. Vira e mexe ele buscava uma bebida pros dois e a fazia perder a página que estava lendo, puxava-a pra debaixo dos lençois, ela reclamava como sempre, isso devia ser algo universal nas mulheres, mas sempre cedia. E no dia seguinte ela acordava antes, assustada, procurando ao redor pra ver se tudo ainda estava ali, a vida em que ela escolhera e moldara detalhe por detalhe. Tomava-o nas maõs, ou na boca, dava-lhe um beijo, alimentava sua alma e vida em todas as dimenssões.

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